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Após o ato de posse, Simão Jatene afirma que o Pará precisa consolidar conquistas e avançar

Por Redação - Agência PA (SECOM)
01/01/2015 13h47

Ser não apenas novo, mas ser melhor e confiável; enfrentar os desafios do atual cenário brasileiro e fazer o Pará contribuir com o Brasil não somente com suas riquezas, e sim com o seu próprio desenvolvimento. Esses são alguns destaques do discurso do governador Simão Jatene, após ser reempossado no cargo, na manhã desta quinta-feira (1º), na Assembleia Legislativa do Pará, junto com o vice-governador Zequinha Marinho. Jatene lembrou a dura campanha pela reeleição, frisou as oportunidades de investimentos na Região Norte e pediu ao povo do Pará que “jamais desista de sonhar e de lutar pelas causas em que acredita”.

Abaixo, a íntegra do discurso do governador Simão Jatene.

SENHOR PRESIDENTE,

SENHORAS DEPUTADAS,

SENHORES DEPUTADOS,

SENHORAS E SENHORES,

 

MINHAS AMIGAS E MEUS AMIGOS.

Subo nesta tribuna, hoje, elevado por alguns dos mais nobres sentimentos que a aventura humana é capaz de nos oferecer.

E dentre todos esses sentimentos existe um, em especial, que traduz com absoluta fidelidade a grandeza proporcionada pela soma de tantas emoções. Estou falando de gratidão. Da mais intensa e profunda gratidão.

Sou grato a Deus, pela inédita oportunidade de governar o Pará pela terceira vez, fato que tanto me orgulha quanto estimula, tamanha a responsabilidade e o desafio embutidos nessa missão.

Sou grato ao povo paraense pela lição de maturidade que nos foi dada – vencedores e vencidos – nestas últimas eleições.

Sou grato a vocês, senhoras e senhores desta Casa, independentemente da cor partidária. Especialmente àqueles que, por combaterem o bom combate, ajudam a transformar a política em um exercício de cidadania em benefício da sociedade que os elegeu. Como acabam de demonstrar ao aprovarem as reformas indispensáveis ao sucesso desta nova jornada.

Sou grato também a familiares e amigos, que compartilharam tempos bons e ruins, no governo e, notadamente, na campanha. Ainda, infelizmente, marcada por vilanias que só o amor desconstrói.

Gratidão, portanto, não me falta. E é ela que melhor retrata o estado de espírito deste homem criado no interior - músico por vocação, professor por formação e político por conspiração... do destino.

Quiseram Deus e o povo do Estado do Pará que eu ocupasse, novamente, o cargo mais importante que um homem público pode almejar. E o fato de começar essa jornada, justamente aqui, na Casa do Povo, dá ainda mais dignidade a este momento tão especial.

É a democracia em carne viva. A história à flor da pele, revigorando-se no tempo, para que nós, senhores do tempo e da história, tenhamos a oportunidade de nos retemperar.

Pois é assim que se constrói o novo, na democracia. Com recomeços e retemperos. Honra e dignidade. Esperança e gratidão.

É oportuno invocar aqui essa questão do “novo”, porque foi uma das palavras mais usadas no embate eleitoral. Nem sempre com propriedade, mas muito usada - e até abusada.

Em certos momentos o conceito de “novo” parecia um pensamento solto, à procura do significado.

Ser novo não é ser “de novo”. Ser novo é ser melhor. É ser maior. É ser crível. É ser confiável para se manter confiante. É ressuscitar a inquietude sem abrir mão da temperança. Retemperar o recomeço. E esse eu entendo ter sido talvez o maior recado das urnas, e que nos cabe, a todos, colocar em prática em nossas atividades cotidianas.

Para quem dedicou a maior parte da vida profissional ao serviço público, isso tem um significado único.

Simboliza a percepção da sociedade de que o serviço público é a nobre missão de quem está interessado em servir ao público, e não a nefasta aptidão daqueles que desejam apenas se servir do público. Esse reconhecimento, por si só, já é uma enorme recompensa. Absolutamente renovadora.

Essa confiança multiplica a minha responsabilidade diante da incumbência de dar prosseguimento ao projeto de desenvolvimento do nosso estado. Do Pará que não pode parar. Do Pará que não pode se render. Não pode desistir. Não pode se calar.

A responsabilidade de representar esse sentimento coletivo, de um Pará que não pode se deixar vencer, é tão gigantesca quanto o próprio estado. Tão grande quanto a minha determinação em cumpri-la.

Senhor presidente, senhores deputados,

Já me perguntaram qual é a diferença entre o Jatene do primeiro mandato, de 2003 a 2006, e o Jatene que assume agora, com muita honra, este inédito terceiro mandato de governador.

Ora, é evidente que muita coisa mudou, a começar pelas distintas conjunturas de cada um desses períodos. Além de tudo, pelo fato de ser um homem ligado à Educação, é lógico que, como todo educador, eu serei eternamente um aprendiz – e muita coisa se aprende e se ensina no exercício da política e da gestão pública. Ensina-se aprendendo e aprende-se ensinando, essa é a dinâmica do conhecimento, que sempre haverá de nos permitir mudar – e mudar para melhor.

Eu diria que o mais importante nem é o que mudou, mas o que não mudou nestes anos todos. E isso é muito simples de responder. Sabem o que não mudou? Eu não desisti de sonhar.

E hoje, muito mais do que antes, tenho a convicção de que só é possível transformar sonhos em realidade na medida em que tivermos a capacidade de encurtar distâncias e de aproximar diferenças para superar desigualdades. Para sermos maiores e melhores.

Para isso, é preciso acreditar e praticar valores como a Verdade, a Justiça e o Respeito, que não dependem de semelhanças ou proximidades. São valores que podem ser exercidos por todos, a qualquer tempo, em qualquer lugar. E ouso dizer – e acreditar – que a opção pela verdade, pelo respeito e pela justiça foi mais um recado do povo do Pará nas últimas eleições, que trouxe à tona muitas contradições.

Infelizmente, o País do novo, certas vezes, é o velho País de sempre.

A campanha que nos trouxe até aqui foi das mais duras de que participei, direta ou indiretamente, mas também foi pedagógica, cheia de lições políticas às novas gerações. Essa é a realidade, e a realidade é a única verdade que conta.

Neste Brasil em crise moral, em que se confunde contramão com via de mão dupla, a manifestação popular impõe um novo comportamento: é preciso perseguir permanentemente o objetivo de aproximar a ética da política.

Isso é novo. Isso é maior. Isso é melhor. É disso que tratamos quando nos dispomos a sonhar e realizar sonhos.

E é por isso que não vamos desistir de sonhar.

Senhoras e senhores deputados,

Não nos cabe aqui, e agora, falar de fatos e feitos, não. Em breve estaremos novamente juntos, apresentando o relatório de governo. O momento é de reafirmarmos compromissos.

Os desafios estão postos, e eles são gigantescos. O cidadão é cada vez mais consciente e exigente, e o poder público precisa dar respostas a questões cada vez mais complexas, envolvendo invariavelmente qualidade de vida e um futuro melhor.

Faz-se urgente responder a uma pergunta básica: como elevar a qualidade e oferecer maior quantidade de serviço público?

As respostas são muitas, mas o pressuposto para realizá-las é entender que o exercício do poder, seja nesta Casa, no Executivo ou no Judiciário, não pode ser a busca de bônus. O maior bônus nós já recebemos: foi o reconhecimento e a confiança que nos permitiram ter a honra de ocupar cargos públicos.

O pós-eleição é o momento de exercitar não os nossos quereres, mas os nossos deveres.

Uma sociedade feliz, que deve ser, em última instância, o objetivo maior de quem foi premiado por um mandato, não se constrói com a distribuição de pequenas alegrias. Alegrias são efêmeras; a felicidade é permanente. E ela será tão duradoura quanto maior for a nossa capacidade de cumprir com o nosso dever de servir bem, servir mais e servir melhor. Especialmente neste momento em que a sociedade paraense se mostra disposta a participar desse processo, sem tolerância ao retrocesso.

E para servir bem, mais e melhor precisamos estar dispostos a cortar na própria carne, reduzindo despesas, enxugando a máquina pública e buscando, por outro lado, aumentar a nossa disponibilidade de recursos e melhorar a qualidade do gasto público.

Ainda que para isso tenhamos que renovar o que imobiliza, consertar o que nos desconcerta, cobrar respeito de quem respeitamos. E se for necessário nos reinventar, nós nos reinventamos.

Isso é o novo.

Senhoras e senhores deputados,

O Pará não pode mais contribuir para o desenvolvimento do Brasil à custa da pobreza de sua gente. A única forma legítima de participar do desenvolvimento brasileiro é através do nosso próprio desenvolvimento.

O Pará não deseja ser o estado do futuro num País onde se classifica como provisório muito daquilo que se torna permanente. No Brasil contraditório em que vivemos, em que riqueza gera pobreza, é preciso fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para buscar, no mínimo, um pouco de coerência, um tempo de sensatez. E isso nos cabe fazer juntos.

Costumo dizer que estamos numa encruzilhada civilizatória, e sei que sair dela não é tarefa isolada para um estado periférico, de um país periférico, de um mundo em crise. Todo um modelo de civilização está em jogo, e nós nos movemos dentro dele, mas essa consciência não pode nos abater. Deve, sim, nos servir de aríete para seguirmos em frente e fazermos a nossa parte. E este é o convite e apelo que faço a todos os paraenses de boa vontade.

Senhoras e Senhores,

As carências do povo são grandes demais para nos contentarmos com algumas batalhas vencidas.

É urgente consolidar as conquistas e avançar.

O caminho está traçado. O Pará, novamente, atrai a atenção nacional e internacional. Uma nova corrida rumo ao Norte está em curso. E não podemos perder a oportunidade de utilizar esse momento em nosso favor. Retirando lições do passado para evitar a repetição de erros. Está em nossas mãos seguir adiante, sem desvios de nenhuma espécie.

Senhoras e Senhores,

Começar aqui o novo mandato é mais do que um ato legal. É simbólico.

Estamos começando de novo, e quis Deus, e o povo do Pará, que estivéssemos juntos. Que nenhum de nós jamais desista de sonhar e de lutar pelas causas em que acredita. Somente assim, como diz a canção de Ivan Lins, começar de novo vai valer a pena.

Vai valer a pena termos nos rebelado, termos nos debatido, termos nos machucado e termos sobrevivido.

Que Deus nos ilumine.

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